Tarifaço de 25%: maturidade de gestão define o impacto nas médias empresas, aponta a Mid

Gestão Empresarial
Tempo de leitura: 3 minutos
Última atualização: 24/07/2026

A tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros entrou em vigor em 22 de julho de 2026, e para Rafael Silveira, diretor executivo da Mid, o fator que vai separar as médias empresas que superam o choque das que perdem terreno é a baixa maturidade de gestão em 83% das companhias, segundo levantamento da consultoria com mais de 300 empresas.

A entrada em vigor do tarifaço reacende o alerta para as médias empresas brasileiras, inclusive as que não exportam diretamente para o mercado americano.

Em entrevista ao Valor Econômico, Rafael Silveira, diretor executivo da Mid, afirmou que a forma como cada empresa será impactada depende diretamente da sua capacidade de gestão, e que o desafio central não é a tarifa em si, mas como essa nova realidade será administrada.

Ilustração de navios cargueiros e moedas em uma mão representando o aumento de custos do tarifaço para médias empresas que atuam no comércio internacional.
O tarifaço pode aumentar despesas operacionais e reduzir a competitividade das médias empresas no mercado global.

Impacto vai além de quem exporta para os EUA

O tarifaço não atinge apenas os exportadores diretos. Empresas que fornecem para exportadores, que disputam insumos com os setores mais expostos ou que competem no mercado interno com concorrentes deslocados dos EUA também sentem a pressão, mesmo sem nenhuma venda direta ao mercado americano.

A medida em vigor desde 22 de julho de 2026 é distinta da tarifa de 50% aplicada em 2025: aquela tinha motivação política e foi limitada pela Suprema Corte americana; esta nasce de uma investigação da Seção 301 sobre práticas comerciais consideradas desleais. Aço e alumínio seguem sob tarifa separada de 50%.

Maturidade de gestão é o fator que separa as empresas

Para Silveira, é a maturidade de gestão que determina quem atravessa o choque com menos perdas. O levantamento da Mid com mais de 300 empresas mostra que 83% estão nos níveis mais baixos dessa maturidade.

E o problema não se restringe às menores: mesmo entre companhias com faturamento acima de R$ 60 milhões, apenas uma parte pequena está bem posicionada. Nas palavras do executivo, “só 25% têm maturidade de gestão alta” nesse grupo.

Falta de planejamento estratégico limita a reação

A mesma pesquisa aponta que 60% das médias empresas não têm planejamento estratégico estruturado e 75% não contam com uma metodologia consolidada de gestão.

Sem essa base, falta o instrumento para responder a um choque externo com método. A reação mais comum diante da pressão acaba sendo a mais arriscada: reduzir preço para não perder venda, uma estratégia que corrói margem e que a média empresa, sem a escala das grandes companhias, não sustenta por muito tempo.

O que a média empresa deve fazer agora

Segundo Rafael, o caminho ideal começa por organizar a base estratégica. A partir dessa etapa inicial, a empresa passa a ter mais clareza sobre suas capacidades e objetivos. Somente após estruturar essa base, reúne condições de analisar mercados internacionais de forma consistente, o que inclui, por exemplo, identificar mercados-alvo, avaliar oportunidades de exportação e, em um estágio mais avançado, até considerar a abertura de filiais no exterior.

Além disso, em vez de disputar apenas por preço, a saída é ganhar produtividade e flexibilidade. Dessa forma, a empresa fortalece sua competitividade e amplia sua capacidade de adaptação. Consequentemente, consegue redirecionar a produção com mais agilidade quando um mercado se fecha ou apresenta restrições.

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Perguntas frequentes

O tarifaço de 25% é a mesma tarifa de 50% de 2025?

Não. São medidas com base jurídica diferente. A de 50%, de agosto de 2025, tinha motivação política e foi limitada pela Suprema Corte americana no início de 2026. A de 25%, em vigor desde 22/07/2026, nasce de uma investigação da Seção 301 sobre práticas comerciais consideradas desleais. Aço e alumínio brasileiros seguem sob tarifa separada de 50%, pela Seção 232.

Minha empresa não exporta para os Estados Unidos. Preciso me preocupar mesmo assim?

Sim. Mesmo sem venda direta, sua empresa pode sentir o efeito se for fornecedora de quem exporta, se disputar insumos com setores mais afetados, ou se concorrer no mercado interno com empresas que perderam espaço nos EUA e redirecionaram a venda para cá.

Qual o primeiro passo para uma média empresa se proteger?

Organizar a base estratégica antes de mexer em preço ou contrato. É essa base que dá condição de analisar mercados de forma consistente e decidir com método entre absorver custo, repassar preço ou redirecionar produção.

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Lucas Vieira

Lucas Vieira

Analista de Conteúdo na Mid, especialista em SEO e em transformar ideias complexas em narrativas que geram impacto real. Atua há mais de 6 anos na interseção entre criatividade, estratégia e performance, criando conteúdos que ajudam líderes e empresas a crescer com clareza e propósito.

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